MONITOR LEGISLATIVO

CFC propõe solução para impasse entre CVM e Ministério da Fazenda sobre relatório de sustentabilidade

O CFC apresentou proposta para resolver o conflito de competências entre a CVM (Resolução 244/2024) e o Ministério da Fazenda sobre quem regulamenta os relatórios de sustentabilidade no Brasil. A solução proposta é um protocolo conjunto que unifique os padrões ISSB para entidades abertas e fechadas.

CFC propõe solução para impasse entre CVM e Ministério da Fazenda sobre relatório de sustentabilidade

O que mudou

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) apresentou em 22/06/2026 uma proposta formal para resolver o impasse entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério da Fazenda sobre a regulamentação dos relatórios de sustentabilidade no Brasil.

Contexto do impasse:

  • A CVM Resolução 244/2024 tornou voluntário para companhias abertas o reporte de sustentabilidade baseado no ISSB (IFRS S1 e S2), com perspectiva de tornar obrigatório a partir de 2027
  • O Ministério da Fazenda, via SUSEP e CMN, sinalizou regulamentação própria para entidades financeiras e seguradoras, potencialmente com padrões distintos
  • O CFC, como órgão de regulação da profissão contábil, alerta para o risco de dois sistemas paralelos e incompatíveis no Brasil

Proposta do CFC:

  • Criação de um Comitê Interinstitucional de Sustentabilidade com participação de CVM, CMN, SUSEP, MF, CFC e IASB
  • Adoção única dos padrões IFRS S1 e S2 para todas as entidades de interesse público
  • Padrão simplificado baseado no ISSB para entidades de médio porte
  • Publicação de norma conjunta até dezembro/2026

Quem é afetado

Companhias abertas, entidades financeiras e seguradoras que precisam preparar relatórios de sustentabilidade. Escritórios de auditoria e contabilidade que atendem essas entidades. O tema ainda tem impacto limitado para escritórios que atendem PMEs, mas é relevante para os que têm clientes de grande porte ou que se preparam para crescer nesse segmento.

Impactos práticos

  • Se não houver padronização, empresas com obrigações em múltiplos reguladores podem precisar elaborar dois relatórios distintos com metodologias diferentes.
  • A incerteza regulatória dificulta o planejamento das empresas para estruturar equipes e processos de ESG.

O que fazer agora

  1. Acompanhar o andamento da proposta do CFC nas próximas semanas: a resposta da CVM e do MF definirá o caminho regulatório.
  2. Para clientes companhias abertas: manter o cronograma de implementação voluntária da CVM Res. 244, que segue em vigor independentemente do desfecho do impasse.
  3. Aguardar publicação conjunta antes de dezembro/2026 para definitivamente adequar processos de reporte.
Consultar fonte oficial