TECNOLOGIA

CFC, Fenacon e IOB mapeiam o uso de IA nos escritórios contábeis brasileiros

O CFC, a Fenacon e a IOB lançaram a primeira pesquisa nacional oficial para mapear como os escritórios brasileiros estão usando inteligência artificial. Os resultados vão definir a agenda de capacitação e regulamentação do setor.

O que mudou

Em abril de 2026, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Fenacon e a IOB lançaram conjuntamente a primeira pesquisa nacional oficial para entender como a inteligência artificial está sendo adotada nos escritórios contábeis brasileiros.

A iniciativa é inédita: pela primeira vez, as três entidades representativas mais importantes do setor se unem para mapear um fenômeno tecnológico em andamento, antes que seus efeitos se consolidem, e não depois. O objetivo é claro: os dados coletados vão orientar a agenda de capacitação profissional do CFC, as políticas de formação da Fenacon e os materiais técnicos da IOB para os próximos anos.

O que a pesquisa quer entender

A pesquisa mira três grupos de questões:

  • Adoção atual: quais ferramentas de IA os escritórios já utilizam, com que frequência e em quais processos
  • Benefícios percebidos: quais ganhos foram observados na prática, redução de tempo, menos erros, novos serviços ofertados
  • Barreiras e lacunas: o que impede os escritórios que ainda não adotaram, e quais competências o profissional sente falta para avançar

Os resultados serão usados para construir uma fotografia do setor que hoje não existe. Não há dados confiáveis sobre o percentual de escritórios brasileiros que já utilizam IA de forma sistemática, quais tarefas estão sendo automatizadas, e onde estão as maiores resistências.

CFC avança em paralelo na educação

Junto com o lançamento da pesquisa, o CFC anunciou no 14º ENMC (Encontro Nacional dos Municípios Contábeis) um novo curso específico sobre IA para contadores. A grade cobre o uso prático de ferramentas, ética no uso de IA em escritórios e o impacto da automação nas obrigações acessórias.

Em junho de 2026, o CFC foi ainda mais além: realizou encontro com representantes do Instituto de Contadores Certificados da Índia (ICAI) para discutir inteligência artificial, transformação digital e auditoria digital. O tema da IA passou de pauta de congresso para item de agenda diplomática do setor.

Quem é afetado

Todo profissional contábil registrado no CFC ou vinculado a escritório contábil. A pesquisa é aberta a contadores autônomos, sócios de escritórios e colaboradores da área fiscal e de folha.

Para os escritórios, participar tem relevância estratégica: os resultados vão moldar os investimentos em capacitação do setor nos próximos dois anos. Escritórios que respondem contribuem para uma agenda que vai impactar diretamente a formação dos profissionais que eles vão contratar.

Impactos práticos

  • O mapa de adoção resultante da pesquisa vai mostrar, pela primeira vez, onde o Brasil está em relação ao movimento global de IA na contabilidade, e evidenciar o gap a ser preenchido.
  • Os escritórios que hoje não utilizam IA em nenhum processo serão expostos na comparação quando os dados forem publicados. Para quem está no grupo de adoção avançada, os dados confirmam o posicionamento. Para quem está atrás, é um sinal concreto de onde agir.
  • A agenda de capacitação que sairá da pesquisa vai definir quais cursos e certificações serão valorizados pelo mercado nos próximos ciclos, informação relevante para quem planeja investir em formação profissional agora.

O que fazer agora

  1. Participar da pesquisa, acessar o formulário disponível no site do CFC e responder com honestidade sobre o nível atual de uso de IA no escritório. Quanto mais representativa a amostra, mais úteis os resultados para o setor.
  2. Acompanhar a publicação dos resultados, o CFC costuma publicar relatórios desse tipo no portal oficial e no Boletim do Conselho. Salvar nos favoritos para consultar quando os dados saírem.
  3. Registrar internamente o estado atual, antes de responder a pesquisa, fazer um levantamento rápido: quais processos do escritório já têm algum nível de automação ou IA hoje? Esse exercício tem valor independente da pesquisa.
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